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Por uma vida menos ordinária

 

Não há nada como se prostrar
Diante da tevê, da privada ou do altar
Solicitar é uma arte
Implorar, prima invejosa,
Coloca-se aos pés de qualquer um.
E na janela cada um que passa,
Uma esmola pela graça do comum.
Pesa-se o corpo para medir o caixão,
Com espaço para a língua e o coração.
O filtro deveria estar lá,
Mas nesse corpo não há.
Pedir o amor e receber a dor pungente
Não deprima, meu anjo, agüente
Firme na esperança de um ser carente.
Chore, querida, faz muito bem
O sal cozinha a pele
Mas amanhã quem vê?
Ninguém.
Se acalente em seu sofá dormente
E queime a boca
Numa xícara de café quente.
Sabe, você até faz a gente rir
É boa pessoa, um pouco exigente
E seus ais são enredo de novela
Que a censura desmente.
Fale, fale, urre.
Terá a piedade se tiver sorte.
Grite, esperneie, esmurre
Um dia haverá quem suporte
Sua ira e sua morte.
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Lívia Gusmão é publicitária e coordenadora do projeto Teia Cultural. Nas horas vagas, estudante de canto popular e dos assuntos relacionados à internet.