| Não há nada como se prostrar
Diante da tevê, da privada ou do altar Solicitar é uma arte Implorar, prima invejosa, Coloca-se aos pés de qualquer um. E na janela cada um que passa, Uma esmola pela graça do comum. Pesa-se o corpo para medir o caixão, Com espaço para a língua e o coração. O filtro deveria estar lá, Mas nesse corpo não há. Pedir o amor e receber a dor pungente Não deprima, meu anjo, agüente Firme na esperança de um ser carente. Chore, querida, faz muito bem O sal cozinha a pele Mas amanhã quem vê? Ninguém. Se acalente em seu sofá dormente E queime a boca Numa xícara de café quente. Sabe, você até faz a gente rir É boa pessoa, um pouco exigente E seus ais são enredo de novela Que a censura desmente. Fale, fale, urre. Terá a piedade se tiver sorte. Grite, esperneie, esmurre Um dia haverá quem suporte Sua ira e sua morte. _________________ Lívia Gusmão é publicitária e coordenadora do projeto Teia Cultural. Nas horas vagas, estudante de canto popular e dos assuntos relacionados à internet. |